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Artrite Enteropática

A artrite enteropática ou artrite relacionada à doença inflamatória intestinal (DII) é um tipo de artrite que pode acometer indivíduos com DII, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. Normalmente acomete as articulações dos membros inferiores (joelhos e tornozelos, por exemplo) e a coluna, mas pode afetar qualquer articulação. Pode também causar dores corporais, semelhante à fibromialgia. Os sintomas específicos da artrite enteropática varia entre os indivíduos e nem todos que tem DII irão desenvolver artrite.
 
A artrite enteropática faz parte de um grupo específico de doenças conhecido como espondiloartrites soronegativas, do qual a espondilite anquilosante e, a artrite psoriásica e a artrite reativa fazem parte. 
Em algumas pessoas os sintomas articulares acontecem juntamente com os sintomas intestinais (diarreia, por exemplo). Já em outras, a artrite não está relacionada com a atividade da DII.
 
A artrite enteropática afeta tipicamente indivíduos mais jovens entre 15 e 40 anos de idade, mas pessoas mais velhas também podem ter a doença. Atinge homens e mulheres igualmente. O tabagismo é um fator de risco conhecido para a artrite enteropática e para a DII.
 
Sintomas
Aproximadamente 1 em cada 5 pessoas (20%) com DII (retocolite ulcerativa e doença de Crohn) irão desenvolver artrite enteropática. A maioria das pessoas com DII irão descobrir que tem artrite enteropática após desenvolver dores no corpo ou dores articulares (artralgia). Às vezes o diagnóstico é da forma contrária, indivíduos com sintomas articulares descobrem que tem DII. A artrite enteropática pode ser bem diferente entre os indivíduos, por isso os sintomas diferem em como a doença se desenvolve se apresenta em cada pessoa.
Dores pelo corpo e artralgia
A forma mais comum de apresentação da artrite enteropática é através de dores pelo corpo e artralgia. Não existe inflamação ou inchaço nas articulações, mas a dor pode ser debilitante. Essa forma de apresentação pode se assemelhar muito com a fibromialgia, doença que cursa com dor crônica difusa. Neste caso, a dor articular e muscular podem ser secundária à DII. A dor pode melhorar assim que a doença intestinal dor adequadamente tratada.
 
Inflamação na coluna e na articulação sacro-ilíaca
Outra forma de apresentação da artrite enteropática é a inflamação da coluna e da articulação sacro-ilíaca (articulação localizada entre a coluna e a bacia). Esta inflamação causa uma dor diferente das dores comuns da coluna, é uma dor que piora com o repouso, alivia com a movimentação e é acompanhada de uma rigidez matinal (a coluna fica mais “travada” no período da manhã). Esse tipo de inflamação é semelhante ao da espondilite anquilosante. Enquanto a grande maioria dos indivíduos com espondilite anquilosante possui um gene conhecido como HLA-B27, apenas metade daqueles com artrite enteropática possuem esse gente. Diferente das dores corporais e da artralgia, a inflamação na coluna a nas sacro-ilíacas podem não melhorar com o adequado controle dos sintomas intestinais.
 
Artralgia periférica (membros)
A artrite enteropática pode afetar as articulações periféricas (dos membros) da extremidade inferior do corpo (quadril, joelhos e tornozelos) e ocasionalmente punhos e cotovelos. Essa forma de apresentação causa dor articular de início agudo (súbito) e normalmente está associada com a inflamação intestinal. Menos comumente, a artrite pode ser crônica, ou seja, de duração mais prolongada afetando múltiplas articulações incluindo joelhos, tornozelos, cotovelos, ombros, punhos e mãos.
 
Diagnóstico
Não existe um teste específico para confirmar o diagnóstico de artrite enteropática. O diagnóstico é realizado através da confirmação da presença de DII e descartando outras causas de artrite.
A artrite enteropática é melhor diagnosticada pelo reumatologista e a DII pelo gastroenterologista. Para fazer o diagnóstico o médico deve coletar um história completa e realizar um exame físico específico. Através dessas informações, o médico solicitará a realização de alguns exames de laboratório e de imagem para confirmar o diagnóstico.
 
Exames de sangue
Como a artrite enteropática causa inflamação, alguns exames de sangue podem estar alterados, como um aumento nos leucócitos, na velocidade de hemossedimentação (VHS) e na proteína C-reativa (PCR). Como dito anteriormente, existe um teste genético que pode estar presente em cerca de metade dos paciente com artrite enteropática, conhecido como HLA-B27. Esse marcador está mais associado com o envolvimento da coluna e das sacro-ilíacas.
 
Exames de imagem
Radiografia: pode mostrar o envolvimento da pelve (bacia), ou seja, as articulações sacro-ilíacas. Porém, nos quadros mais iniciais, este exame pode estar normal.
Ressonância magnética: ajuda a mostrar a inflamação na coluna e nas articulações sacro-ilíacas. Mesmo nos casos mais inicias, este exame já pode vir alterado.
Colonoscopia
A colonoscopia ajuda a mostrar a presença de DII. Este exame consiste na inserção de um tubo fino e flexível com uma câmera através do ânus, para permitir a visualização do intestino.
 
Tratamento
O tratamento da artrite enteropática depende em como a doença se apresenta, que pode ser diferente entre os indivíduos acometidos pela doença. Independente da forma de apresentação, quanto mais cedo a doença for tratada, melhor o desfecho para o paciente.
É extremamente importante que os indivíduos com artrite enteropática estejam com a inflamação no intestino controlada, assim as dores corporais e a artralgia tendem a se resolver. Se mesmo assim a dor persistir, medicações utilizadas para dor crônica podem ser utilizadas. Os antiinflamatórios esteroidais (AINE) podem reduzir a inflamação e a dor, entretanto, esse grupo de medicações pode piorar a inflamação intestinal em 20% dos pacientes (1 em cada 5). Por isso, o uso dessa medicação deve sempre ser discutida com o médico.
 
Drogas anti-reumáticas modificadoras da doença (DMARD)
Esse grupo de medicações pode ser usado para controlar a inflamação articular e a dor nos pacientes com artrite enteropática. Entre elas incluem o metotrexate, sulfassalazina, leflunomida e azatioprina. Algumas delas também podem ser efetivas para o controle da inflamação intestinal.
Biológicos
Nos casos em que os DMARD não conseguem controlar os sintomas dos pacientes com artrite enteropática, um grupo de medicações conhecidos como biológico anti-TNF podem ajudar. Os anti-TNF são muito efetivos e podem ser utilizados em combinação com DMARD para o controle dos sintomas.
Para os pacientes com inflamação na coluna ou nas sacro-ilíacas, a melhor forma de tratamento inclui a utilização de biológicos anti-TNF.
 
Causas
Ainda não se sabe bem a causa desta doença, mas sabe-se que o sistema imune está ativado ou ligado em pessoas com esta doença. Uma possibilidade é a de que o sistema imune é ativado por uma infecção e começa a atacar algumas partes do corpo, mas qual infecção causa isso ainda não se sabe.
 
Vivendo com Artrite Enteropática
 
Trabalho
A dor e a rigidez causada pela artrite enteropática pode limitar em algumas atividades diárias. Existem muitas coisas que podem ser feitas para reduzir o impacto da doença no trabalho. Recomenda-se ajustar alguns recursos para facilitar, como por exemplo a posição da cadeira e da mesa para uma postura mais adequado e o assento do veículo para uma direção mais confortável. 
 
Exercícios
Os exercícios ajudam as articulações a funcionarem e se movimentarem de forma apropriada e as protegem através do fortalecimento dos músculos ao redor delas. O nível e a quantidade de exercícios depende de como está o controle da doença. Um fisioterapeuta especializado é a melhor pessoa para realizar um programa de exercícios para um paciente com artrite enteropática.
Acesse a sessão específica onde há mais informações sobre exercícios e artrite. Leia mais sobre Exercícios para Portadores de Artrite e Exercícios Durante Crises de Artrite.
 
Álcool e tabagismo
Álcool não é recomendado para portadores de artrite enteropática e ele pode interagir com algumas medicações utilizadas no tratamento.
O tabagismo pode piorar os sintomas da doença e tornar o tratamento mais difícil. Além disso, tanto o tabagismo como a inflamação
crônica causada pela artrite enteropática aumento o risco cardiovascular, ou seja de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame).
 
Viagem
As pessoas com artrite enteropática podem viajar, desde que consultem seu reumatologista e gastroenterologista antes. É importante o planejamento com antecedência para uma viagem mais segura e tranquila. Acesse a página check-list para viagem em pacientes com artrite. ​Leia o artigo Guia de Viagens para mais informações.
 
Sexo
Apesar da artrite enteropática não afetar diretamente a libido, a dor, a fadiga e dificuldades emocionais podem afetar a vida sexual. Os pacientes podem ficar confortáveis ao saber que o sexo a intimidade podem e devem ser mantidos.
 
Gravidez
A artrite enteropática não interfere na fertilidade, ou seja, indivíduos com a doença possuem as mesmas chances de engravida em relação à população saudável. Além disso, a artrite enteropática não interfere no desenvolvimento do feto ou do recém-
nascido.
É importante ressaltar que muitas medicações utilizadas no tratamento da artrite enteropática são proibidas ou devem ser evitadas durante a gestação. Por isso, avise seu médico antes se há o desejo de engravidar para que haja um planejamento de como ficará o tratamento de uma forma que a doença não fique descontrolada, mas que ao mesmo tempo não afete o feto e o recém-nascido.
 
Dieta
Manter uma dieta saudável ajuda a reduzir a carga nas articulações, como joelhos, coluna e quadril. Infelizmente, não existe uma dieta específica que altere o curso da artrite enteropática ou de qualquer tipo de artrite. Além disso, nenhuma medicação natural provou ser eficaz no tratamento da doença. Os pacientes devem sempre perguntar ao seu médico se suplementos ou terapias alternativas irão interagir com as medicações em uso para artrite enteropática.
Aderência
É muito importante que os pacientes com artrite enteropática tenham consultas regulares com o seu reumatologista e realizem exames periodicamente conforme solicitados pelo seu médico. O uso regular das medicações de forma correta também é extremamente importante, então qualquer inconveniência encontrada deve ser discutida com o médico para avaliar trocas e substituições.